Ainda hoje, é possível que muitos desconheçam a obra de Edgar Rice Burroughs. Ou pior, que possam reagir com desprezo face a popularização de seus personagens por outros tipos de mídia.
Certo é que o escritor americano completaria, nesta data, 150 anos, sendo mais reconhecido na cultura popular como o criador de Tarzan e John Carter.
O romance pulp Uma Princesa de Marte (1912) apresenta ao leitor
a aventura de John Carter em Barsoom (Marte), desde sua chegada inexplicável ao
planeta à descoberta de suas habilidades sobre-humanas devido à menor gravidade,
passando por encontros com as diversas raças marcianas, incluindo os ferozes
homens verdes e os civilizados homens vermelhos. A trama explora os costumes
peculiares de Barsoom, como a procriação por ovos e a comunicação telepática, e
narra os esforços de Carter para resgatar a princesa Dejah Thoris em meio a
conflitos interraciais. A história culmina com a ameaça da falha da fábrica de
atmosfera, que mantém a vida no planeta, e os desafios enfrentados para
garantir a sobrevivência de Barsoom.
Carter representa a fronteira entre dois mundos, pois como
bom explorador de terras selvagens, ultrapassa de maneira quase transcendental
a distância que separa os dois planetas do sistema solar, para se transformar
no verdadeiro desbravador de terras tão distantes. Sua presença é mola de
transformação da sociedade marciana, já que ao adicionar reflexão humana aos
costumes e valores às culturas locais, deixa de pertencer ao lugar clássico do
estrangeiro observador.
As dificuldades que enfrenta, retomam os ecos dos cavaleiros
andantes em direção aos seus amores. Neste caso, Dejah Thoris, objeto de
devoção e destemor do herói, uma espécie de Helena de Troia, cujo amor pode
mobilizar guerras, possibilita a Carter uma verdadeira descida ao Hades (como Orfeu),
porém, invertida, não ao mundo subterrâneo, mas uma ascensão a outro planeta.
Uma pequena amostra do gênio de Burroughs, que pôde
antecipar personagens como Flash Gordon ou Buck Rogers.

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