22 agosto 2011

HERÓIS DA TV #95

Editora Abril

Marvel Comics

Formatinho (84 páginas)

Maio/1987

Originalmente publicado em:
Iron Man vol 1 #135 (1980);
Power Pack vol 1 #7 (1985);
The Mighty Thor vol 1 #272, 273 (1978);
The Avengers vol 1 #188 (1979).

Homem de Ferro: "Retorno triunfal"
Argumento: David Michelinie e Bob Layton
Arte: Jerry Bingham
Arte-Final: Bob Layton

Mais um round entre o Homem de Ferro e o Homem de Titânio. O vilão busca reconhecimento de seu governo acreditando que destruir Nova Iorque, o coração do imperialismo americano, o ajudará a realizar este intento. Entretanto, ele não conta com os recentes melhoramentos na armadura do herói, que tenta recuperar sua imagem pública.

Via essa capa e me indagava sobre a qualidade da história, há muito tempo atrás. Fiquei decepcionado com o fraco enredo. É pancadaria ingênua do início ao fim. O vilão titânico possui motivação que deveria ter sido melhor explorada. Seu plano, arrasar Nova Iorque, não é nem um pouco atraente para quem lê. É muito godzilliano. 

Além disso, não acho que seja verossímil o Homem de Ferro se utilizar de golpes marciais contra um colosso de armadura.

Quarteto Futuro: "Além da razão"
Argumento: Louise Simonson
Arte: June Brigman
Arte-Final: Bob Wiacek

A ideia por trás do Quarteto Futuro até que é interessante: abordagem de temas relacionados ao mundo pré-adolescente. Mas este gênero não me convence. Pode ser antipatia, mas não vejo porque gastar 20 páginas de uma revista que continha Thor, Homem de Ferro e Vingadores.

Depois do primeiro dia de aula, as crianças, com a ajuda de Manto e Adaga, enfrentam bestas-robôs.

Não considero o desenho de todo ruim, mas com este argumento, tudo fica sacal, assemelhando-se a histórias infantis.

Thor: "O início do fim"
Argumento: Roy Thomas
Arte: John Buscema
Arte-Final: Tom Palmer

Vejamos: Roy Thomas e John Buscema... isto é sinal de boa história! Não há dúvidas que a talentosa dupla rendeu bons momentos na cronologia do deus nórdico.

Trata-se da saga Ragnarok. Loki está sem poderes e exilado na Terra. Ele deseja retornar a Asgard, mas para isso deverá se utilizar do desejo de um mortal, o jornalista Harris Hobbs, de realizar uma matéria na lendária terra dos deuses. Hobbs é o ignorante portador de visões proféticas do destino final dos habitantes de Asgard. Loki consegue identificar a profecia de Volla nos sonhos de Hobbs. Através de um logro, o deus da mentira realiza o improvável, retornando a Asgard. Seu intuito é registrar a morte do deus do trovão!

É muito difícil não se fazer uma boa história com os elementos do universo de Thor. A riqueza de detalhes e as múltiplas possibilidades dão o caminho do sucesso do personagem. Ragnarok é mais um desses nortes. Podemos compará-lo ao mítico apocalipse; na mitologia nórdica, é o evento cataclismático (Thor não morre pelo ataque da Serpente de Midgard, mas por desfalecimento) que renovará a Terra.

Roy Thomas trabalha habilmente com estes aspectos mitológicos, porém, centrados em Loki, nas duas primeiras histórias. Ele é o elemento aráutico que espalha a "boa-nova": o crepúsculo dos deuses. A arte de Buscema é fantástica! Sou fã de Walter Simonson, mas Buscema também retratava Thor com maestria.

O grande problema editorial será abordado abaixo.

Vingadores: "Elementar, caros Vingadores!"
Argumento: Bill Mantlo
Arte: John Byrne
Arte-Final: Dan Green e Frank Springer

Os Vingadores estão em viagem de retorno a América. Enquanto cruzam o espaço aéreo soviético, testemunham um misterioso ataque a aviões russos. Em terra, descobrem que um experimento que deu errado produziu super criaturas com propriedades semelhantes aos elementos químicos. Agora, precisam detê-las.

Pontos interessantes: o demagógico discurso do Capitão América - dane-se os russos com seus problemas; os problemas de auto-estima do Falcão. Aspectos bem retratados por Mantlo. Uma pena que o trabalho editorial porco da Abril tenha cortado alguns quadros. Mas é óbvio que o Capitão estava longe de ser o perfeito arauto da justiça. Seu dilema em ajudar os russos revela a conveniência de um soldado em missão. Mantlo nos traz o lado fantochístico de um dos maiores ícones da Marvel e sua patriótica subserviência. Já com Falcão, o pouco que a Abril nos deixa ver humaniza um super-herói que nunca passou de um coadjuvante do Capitão, mas que se apresenta em sua forma mais honesta possível. Um cara normal escalado para engrossar os filões de uma superequipe.

Não poderia deixar passar em branco a arte a cargo de Byrne, que ocupa competentemente o lugar de artista definitivo dos Vingadores, na minha mais modesta opinião.




Lamentavelmente, tínhamos nesta época a prática nefasta da Editora Abril de cortar páginas, quadros ou adulterá-los. A saga Secret Wars talvez seja o maior exemplo. Nesta edição de HTV, eles foram além. Em Thor, cortaram 14 páginas das 17 originais da edição #272 e 3 das 17 originais da edição #273. Ou seja, de duas edições, a Abril publicou apenas UMA!! E isto para quê? Para publicar 20 páginas de Quarteto Futuro?! Claro, fora as supressões de diálogos e páginas em Vingadores, como na página 68, na qual o Falcão aparece com o maior bico, enquanto o leitor não entende patavina.

Enfim, é lamentável ler histórias picotadas por decisões editoriais infelizes. O assunto foi ironicamente abordado na seção de cartas da revista. Em resposta à solicitação do leitor pela publicação de histórias na íntegra, o editor Wlamir Sohl afirma: "Só cortamos páginas das histórias em último recurso."

05 agosto 2011

SUPERAVENTURAS MARVEL #46

Editora Abril

Marvel Comics

Formatinho (84 páginas)

Abril/1986

Originalmente publicado em:
Daredevil vol 1 #158 e 159 (1979);
Alpha Flight vol 1 #2 (1983);
Uncanny X-Men vol 1 #142 (1981).


Demolidor: "O arauto da morte"
Argumento: Roger McKenzie
Arte: Frank Miller
Arte-Final: Klaus Janson

Edição histórica, a Abril costuma cravar um selo "Grandes Momentos Marvel", que traz Frank Miller, pela primeira vez, ilustrando as histórias do homem sem medo. A Wikipedia me diz que, com a saída de Gene Colan do título, somada às baixas vendagens, Miller enxergou a oportunidade de agregar um gênero de histórias, que tanto apreciava (policialescas), com a inserção de um super-herói. Além de tudo, seu estilo noir arrebatou os fâs, alavancando as vendas e recolocando o título na periodicidade mensal.

Afora o contexto histórico, é de se notar a já qualidade gráfica peculiar de Miller: cenários detalhados, dinâmica explosiva, abuso de sombreamento; enfim, elementos millerianos em sua gênese, hoje tão caros aos seus fãs.

O vilão Arauto da Morte, outrora Eliminador, contratou o Trio Fatal para sequestrar Matt Murdock e dar cabo ao seu plano de vingança. O advogado foi o responsável por sua transformação.

Historinha nota 5, batida. Esse trio de aberrações já vi tantas e tantas vezes. O que vale mesmo é a arte de Miller que funciona muito bem com Janson finalizando.

Demolidor: "Marcado para morrer!"
Argumento: Roger McKenzie
Arte: Frank Miller
Arte-Final: Klaus Janson

Em primeiro lugar, temos a primeiríssima aparição de Tucão, na edição americana. Nunca entendi porque diabos a Abril resolveu traduzir o nome original, Turk, em Tucão. Personagem secundário, porém recorrente a todo momento na cronologia daredeviana.

A história gira em torno de um assassinato encomendado por um tal Sr. Poindexter (quem será...). Eric Slaughter, antigo inimigo do Demolidor, orquestra uma emboscada ao herói, que obviamente fracassa. Mas isto fazia parte dos planos do Sr. Poindexter, que a tudo observa meticulosamente.

Esta edição é melhorzinha. Introdução de coadjuvantes, promessa de bons conflitos no futuro, um algoz importante para o desenrolar das ideias de Miller aparecendo ao final. Aliás, FM mostrando a que veio, com a arte sustentando o interesse pelo título.

Tropa Alfa: "Sombras do passado"
Argumento: John Byrne
Arte: John Byrne

Segunda edição americana traz Marrina e sua origem, contada por Víndix. Marrina sempre me impactou pela forma que ela se reproduz. Isto meio que se tornou um trauma de criança, rs... não consigo lembrar em que número.

A trama é simples: em meio a um exercício da Tropa, Marrina, sentindo-se confusa, ataca gravemente Pigmeu e foge pelo mar. Os heróis a perseguem para evitar um conflito internacional.

Acho interessante a forma como Byrne consegue envolver todos os personagens, ao mesmo tempo que habitua o leitor com os novos heróis. A narrativa é fluída e coesa. A origem de Marrina desemboca no clímax da história. O cara é um mestre, mesmo...

X-Men: "Jornada mental"
Argumento: Chris Claremont e John Byrne
Arte: John Byrne
Arte-Final: Terry Austin

Conclusão da histórica saga Dias de um futuro esquecido: Kitty Pride retornou ao passado para impedir que a Irmandade de Mutantes assassine o senador Robert Kelly e, assim, impeça o futuro apocalíptico. Enquanto no passado o futuro depende dos resultados das ações da mutante Sina, no futuro, os mutantes não resistem ao devastador poder dos Sentinelas modificados, confiando apenas Kitty.

Esta é aquela história paradigmatica, definidora das linhas de desenvolvimento futuro das tramas mutantes. Embora, tenham que retornar ao passado para consertar o futuro, qualquer ação terá consequências. Esse é o trunfo dos autores, pois, dessa forma, abriram o caminho de referência a esta saga. O futuro nunca poderá ser consertado, mas reescrito. Não raro, autores bebem desta mesma água.

27 julho 2011

SUPERAVENTURAS MARVEL #45

Editora Abril

Marvel Comics

Formatinho (84 páginas)

Março/1986

Originalmente publicado em:
X-Men #141 (1981);
Kull, the Conqueror v1 #10 (1973);
Marvel Team-Up v1 #126 (1983);
Marvel Fanfare v1 #19 (1985).






X-Men: "Dias de um futuro esquecido"
Argumento: John Byrne e Chris Claremont
Arte: John Byrne
Arte-Final: Terry Austin

Esta edição representa o fim de uma era clássica para os mutantes. Na verdade, o início do fim - trata-se do penúltimo número de John Byrne no título.

O mais desavisado leitor dos mutantes pode encarar a trama como manjada. Entretanto, não se iluda, pois estamos em 1981, a 3 anos da mais popular trama "voltar-ao-passado-para-mudar-o-futuro", The Terminator (1984). De fato, em momento algum James Cameron admitiu expressamente ter se inspirado nos quadrinhos mutantes para estabelecer o filme. Neste artigo do CBR, temos o assunto um pouco melhor explorado.

O que temos em mãos é um momento icônico; uma junção entre criatividade e qualidade ímpar. A começar pela capa (fico imaginando quem teve a oportunidade de se deparar com a edição na banca...), impactante, revelando o trágico destino dos X-Men, posso dizer que os autores nos brindam com uma saga de sobrevivência. No apocalíptico futuro ano 2018, mutantes são caçados e controlados por Sentinelas modificados. As liberdades são restritas, pois os robôs possuem o controle da América. Suas diretrizes são extremas, fruto do ato de controle mutante, institucionalizado pela subida ao poder de um presidente extremista. O estopim desta reação fora a morte do senador Robert Kelly, pelas mãos da Irmandade de Mutantes. Neste cenário, os X-Men remanescentes enviam Kitty Pride ao passado para que consiga evitar esta sequência de eventos, que no futuro redundará em holocausto nuclear. Enquanto isso, no futuro, os mutantes tentam escapar da ação de extermínio dos poderosos Sentinelas.

Primeiras aparições de Pyro, Sina, Avalanche e Rachel Summers.

Esta trama fez tanto sucesso que não é raro que outros autores produzam suas histórias nos títulos mutantes bebendo nesta fonte. Agora mesmo, leio um título atual, X-Men Extra #115 (Panini), com rumos bem semelhantes.

Sobre as desavenças criativas que culminaram na saída de John Byrne do título mutante, o Omelete publicou uma matéria muito interessante. Vale a pena ler!

Kull, o Conquistador: "As espadas da Rainha Branca"
Argumento: Gerry Conway
Arte: Marie Severin
Arte-Final: Frank Chiaramonte

Não sou um simpatizante da outra criação de Robert E. Howard. Vejo a inclusão de histórias do atlante no mix que a Abril fazia pela influência que Conan exercia à época.

Prestes a guerrear os zarfhaanos, o soberano de Valúsia, Kull, é traído e drogado, como parte do plano de vingança da Rainha Branca para derrotá-lo.

O Incrível Hulk: "O dever cumprido"
Argumento: Jim Shooter
Arte: Tomoyuki Takenaka

História curta, típica e despretensiosa. Jim Shooter não inventa, construindo uma situação comum aos fãs de ambos os personagens: Hulk e Homem-Aranha. Talvez, por ser a edição a reimpressão completa de uma história publicada em um jornal.

De fato, temos um Hulk, em busca de refúgio, enfurecido pelo agito de uma cidade grande como Nova Iorque. O herói aracnídeo é o único capaz de deter uma destruição maior. Ele dirige a situação de forma que a fúria do gigante esmeralda diminua e assim Banner possa emergir da criatura. Um assalto provoca o retorno do monstro, mas, dessa vez, o gigante tem a oportunidade de revelar um lado incomum.

Shooter faz brotar da ensandecida fúria de uma força da natureza a mais sublime humanidade. Hulk convive com os extremos da possibilidade humana: o ódio e o amor, desordem e paz. Em meio ao frenesi, sua limitada racionalidade o faz entender melhor o homem do que ele póprio.

Manto e Adaga: "Dançando a noite inteira"
Argumento: Bill Mantlo
Arte: Rick Leonardi
Arte-Final: Terry Austin

Eis aqui a história sobre o dia e a noite, a luz e as trevas. Não me empolga e nem nunca me empolgou este título, porém aprecio a arte de Rick Leonardi. Trazia uma qualidade não muito comum aos anos 80. Nesta edição, sua arte era complementada por Terry Austin, um dos maiores arte-finalistas de todos os tempos.

Nossos heróis encontram-se separados, tentando a vida normal. Enquanto Adaga dança, um vingativo traficante local percebe a oportunidade e a sequestra. Manto faz o que sabe de melhor - saciar sua fome, mas a necessidade impele-o a procurar sua companheira.

Manto e Adaga: "A luz da adaga"
Argumento: Bill Mantlo
Arte: Kerry Gammill
Arte-Final: Freeman

Adaga está cativa nas mãos de Sandino, um poderoso chefe do crime. No entanto sua luz atrairá a atenção de Manto.

A relação entre os dois heróis é bem mais de necessidade do que de parceria. Esta é a chave para a construção de boas histórias da dupla. Ao mesmo tempo que perderam a si mesmos, os dois ganharam a necessária presença um do outro. A arte de Leonardi cai muito bem à estética proposta para os personagens. Leonardi consegue ser versátil, a ponto de agregar lirismo gráfico à trama. É parte do apelo não planejado dos personagens.

23 julho 2011

GRANDES HERÓIS MARVEL #25

Editora Abril

Marvel Comics

Formatinho (84 páginas)

Setembro/1989

Originalmente publicado em:
Fantastic Four v1 #271, 272, 273 (1984).
Quarteto Fantástico: "Feliz aniversário, querido!!"
Argumento: John Byrne
Arte: John Byrne

Sou muito suspeito para analisar qualquer coisa de John Byrne. O run dele no Quarteto Fantástico é, para mim, seu paradigma de excelência. A cada história, convenço-me de que ele era capaz de transformar simples situações em saltos promissores para fantásticas histórias.

Esta edição de GHM não foge dessa linha de raciocínio. Temos aqui a premissa comum: o aniversário de Reed Richards, o Senhor Fantástico. No entanto, ele havia esquecido completamente. E este aspecto corriqueiro leva o herói a investigar seus recentes lapsos de memória. O que se segue é a tentativa de encadear eventos de sua história de tal forma que Reed consiga estabelecer um nexo causal para sua perda de memória. A jornada leva o Quarteto de volta a Central City, local de sua última lembrança. Lá eles descobrem que fenômenos sobrenaturais podem ter relação com experimentos temporais de Nathaniel Richards, o pai de Reed.

Destaque para a sequência recapitulatória da memória de Reed, em que Byrne a realiza com o estilo antigo, dos anos 60, além de abordar um confronto com o monstro Gormuu, da cronologia imediatamente anterior ao experimento espacial que originou os poderes fantásticos do grupo.

Quarteto Fantástico: "Velho ou Novo Oeste?"
Argumento: John Byrne
Arte: John Byrne

O Quarteto Fantástico embarca na missão temporal de busca do pai de Reed Richards. Eles viajam para o futuro de Nathaniel - seu presente, mas se deparam com um lugar semelhante ao Velho Oeste. Ainda desorientados, os heróis impedem um assassinato, enfrentando pistoleiros locais, liderados por Colby. O confronto é interrompido por colossais máquinas de guerra, comandadas por homens da caverna. Sua inteligência é ampliada por capacetes com tecnologia familiar a Reed. Colby relata que tais estruturas pertencem ao Senhor da Guerra.

Fica claro que a mulher de Nathaniel Richards não passa de uma megera duas-caras. Poupa o marido de qualquer evento potencialmente danoso ao seu poder de influência, além de manter discrição sobre sua reais intenções. 

Na respectiva edição americana, Byrne adverte ao público sobre mudanças vindouras na arte da revista (arte-final caberia a outros artistas), de forma que o público não se espante e se manifeste se houver decréscimo na qualidade. Uma atitude incomum hoje em dia.

Quarteto Fantástico: "Reencontro"
Argumento: John Byrne
Arte: John Byrne

A última parte da saga temporal do Quarteto Fantástico guarda o reencontro entre os Richards, pai e filho. Porém, antes, os heróis terão de penetrar na fortaleza do Senhor da Guerra.

Guerreiras nativas interpelam de que lado estão os heróis. Em seguida, a verdadeira história de seu tempo lhes é revelada. Uma disputa espacial leva ao cataclisma terrestre. Civilizações são destruídas e poucos sobrevivem. Um cientista vaga pregando a paz e busca do conhecimento. Porém, seu objetivo havia mudado e o antigo cintista pacifista tornara-se o autoproclamado governante de todo o mundo.

Reed recusa-se a acreditar que seu pai tenha mudado a esse ponto e decide confrontar sozinho o poderio bélico do Senhor da Guerra. Entretanto, apenas pela ação conjunta, os heróis conseguem penetrar em sua fortaleza e ouvir o pai de Reed.

Byrne é econômico, porém muito criativo. A arte estava no auge; estilo narrativo maduro, como no quadro em que há apenas "esquecimento". A saída foi utilizar um espaço vazio da página. O rumo das histórias, sempre imprevisível, demonstra a sintonia do escritor com o fã do título, que acabou por se acostumar a este efeito tipicamente "byrniano". Enfim, até histórias menos interessantes são momentos de degustação do que esta nona arte tem a oferecer de melhor. 

Detalhe desta edição de GHM é que a capa utilizada pela Abril é a da edição americana de número 282.




- Fantastic Four v1 #273: útlima página (epílogo).

16 julho 2011

GRAPHIC NOVEL #7

Editora Abril

DC Comics

Graphic Novel (84 páginas)

Janeiro/1989

Originalmente publicado em:
Batman: Son of the Demon (1987)









Batman: "O filho do Demônio"
Argumento: Mike W. Barr
Arte: Jerry Bingham

A década de 80 testemunhou o início de um tratamento editorial das revistas em quadrinhos, aqui no Brasil, mais sofisticado. Também pudera, com a enormidade de obras-primas, era o mínimo a se esperar! Este segmento, as Graphic Novel, representa um salto de qualidade, neste sentido.

Ao fã mais recente, temos aqui uma das menos conhecidas aventuras do homem-morcego. Uma saga incomum, porém, cativante. Elementos da natureza do Batman, muito pouco explorados, são utilizados engenhosamente por Mike W. Barr, de forma que o leitor tenha acesso ao lado pouco racional do herói. A ideia foi bem recebida à época, e foi com esta edição que a DC retornou ao primeiro lugar em vendas, depois de 15 anos (muito embora, tenha originalmente saído em hardcover, pela bagatela de $14,95!).

Ao frustrar um sequestro orquestrado por um grupo de terroristas, o cavaleiro das trevas é salvo por Tália al Ghul, filha de seu inimigo Rã's. Eles acabam descobrindo que os terroristas pertenciam à organização do misterioso Qaym, estreitamente ligado ao general Yossid, da Golatia, Entra em cena o detetive. As conclusões do herói sobre um assassinato o levam a crer em um envolvimento de Rã's. O vilão revela-lhe que Qaym é seu perturbado afilhado que lhe prometeu vingança. Ele necessita dos préstimos de Batman para combater essa ameaça, porém, oferece-lhe a mão de sua filha. O que se segue é o acolhimento do cavaleiro das trevas como se fosse seu filho.

Para deter Qaym, o grupo de Rã's, liderado por Batman, invade a a base do general na Golátia, mas falha em deter o lançamento do satélite capaz de controlar mudanças climáticas. No retorno, Tália revela estar grávida.

Qaym descobre a localização do complexo de Rã's al Ghul e o ataca de surpresa. Ele está em busca do famoso poço de Lázarus e não mede esforços para consegui-lo. Entretanto, a invasão é repelida com a ajuda do homem-morcego. Ele, porém, se nega a ajudar Rã's a derrotar Qaym. É fácil de se imaginar o final, não?

O eixo central da trama gira em torno da paternidade - como ela causou Batman, como ela causa Tália, como ela força o desvirtuamento de valores no herói quando se depara com uma possível perda de seu herdeiro, como também, na maneira de se relacionar com um de seus maiores inimigos: Rã's al Ghul. Até a motivação de Qaym pode ser explicada por este aspecto. É interessante notar o quão ressentido com a morte dos pais Bruce Wayne é. A forma amarga de lidar com a vida contrasta com a sua própria paternidade, pois vemos um Batman agindo com conveniência e covardia. O medo de perder seu filho é maior do que o senso de justiça, tão presente em seus julgamentos. Também é possível observar a necessidade de Rã's em ter um sucessor. Ele elege o homem-morcego como filho quase que de imediato. Não, por acaso, Batman, o amado, tem de enfrentar o outro "irmão", Qaym ou Caim. É Mike W. Barr se referenciando na mítica história de Abel e Caim. Aqui, o sacrifício de Abel pago só nos é revelado na última página.

Bela história! Mesmo tendo o tema sido, também, abordado, só que por outro viés, no mesmo ano em que foi publicada lá, nos EUA (Batman Ano Um).

A arte muito sóbria e competente de Bingham apenas engrandece esta edição.

13 julho 2011

SUPER-ALMANAQUE DC #3

Editora Abril

DC Comics

Formatinho (140 páginas)

Julho/1992

Originalmente publicado em:
Green Lantern v3 #1, 2, 3 (1990);
Hawkworld v2 #1, 2, 3 (1990).






Lanterna Verde: "Pé no chão"
Argumento: Gerard Jones
Arte: Pat Broderick
Arte-Final: Nelson DeCastro

As histórias se passam depois do evento Odisséia Cósmica. Restam apenas três lanternas para patrulhar todo o universo.

Hal Jordan passou tempo demais no céu, sob o efeito dos poderes do anel. Agora, ele quer descobrir quem realmente é. É tempo de colocar os pés no chão. Uma rápida visita à Liga da Justiça intriga Guy Gardner, que, movido pela desconfiança, roubará o sossego do herói em sua jornada. Enquanto isso, John Stewart tenta se recuperar de traumas recentes, indo até Oa, em busca de respostas.

Nunca gostei das histórias do lanterna. Aprendi a gostar recentemente com Geoff Johns no comando dos títulos. Isto me fez querer conhecer o resto. Entretanto, um personagem que sempre considerei interessante é Guy Gardner. A forma debochada como ele encara os ofícios do herói contrabalança com a natureza tão grandiosa de ser um Lanterna Verde. Essa natureza, talvez, não era tão bem explorada, nesta época; mas este potencial me faz retornar e analisar com mais cuidado.

Não gosto da arte de Pat Broderick. Aliás, nesta época, lembro-me de achar a qualidade gráfica dos títulos dcnautas um pouco abaixo dos da Marvel.

Lanterna Verde: "Em busca da felicidade"
Argumento: Gerard Jones
Arte: Pat Broderick
Arte-Final: Bruce D Patterson

O nível do argumento é o mesmo, tripartido entre a jornada existencial de Jordan, a convicção descrente de Gardner e o resgate da sanidade de Stewart.

Enquanto Jordan se torna um pescador, Gardner provoca um antigo inimigo do herói esmeralda, o Tatuado. O intuito de Gardner é levar o ex-vilão a se encontrar com Hal, para que, assim, assuma seu lugar de Lanterna. John Stewart, em Oa, se depara com a loucura do Guardião remanescente.

Fico impressionado com o rumo bobo da trama. Mas, ao mesmo tempo, satisfeito com o desenrolar dos caminhos em Oa.

Lanterna Verde: "Som e fúria"
Argumento: Gerard Jones
Arte: Pat Broderick
Arte-Final: Bruce D Patterson

A última parte traz o que todos queriam ver: porradeiro entre Hal e Guy! Os dois lanternas partem para resolver as diferenças de longo prazo, mas acabam na prisão. Para que a disputa fosse limpa, os anéis ficam de fora e acabam nas mãos de dois matutos. John Stewart, em Oa, está em apuros! O Guardião pretende unir sua mente a do lanterna.

A pancadaria é interessante e previsível. Expõe o rídiculo que é a disputa entre os dois; ao mesmo tempo nos traz o elemento do humor, fundamental para existência de um personagem como Guy Gardner. O único ponto que destoa do resto é a facilidade com que os anéis são manipulados por outras personagens. A solução para o manejo da vontade dada por Geoff Johns, nas histórias atuais, torna seu poder um pouco mais crível.

Ponto alto no diálogo de Gardner para Hal: "Agora, que tal ir pra cidade? Lá, eu te ensino a mijar em pé!"

Gavião Negro: "Predadores"
Argumento: John Ostrander
Arte: Graham Nolan
Arte-Final: Sam Parsons

O herói thanagariano retorna nas mãos de John Ostrander. As aventuras de Katar Hol, o grande campeão de Thanagar, em companhia de sua parceia Shayera Thal, policiais impetuosos em busca da constante justiça.

Nesta edição, os thanagarianos são enviados à Terra em missão diplomática. Entretanto, Katar Hol tem uma chance mais de capturar Byth, seu antigo inimigo, que, drogando-se, se torna capaz de assumir formas diversas.

História fraca. Arte de Nolan ainda estava crua, juvenil. Não fui cativado por elemento algum da trama thanagariana. 

Gavião Negro: "Surge...o Gavião Negro"
Argumento: John Ostrander
Arte: Graham Nolan
Arte-Final: Sam Parsons

Katar Hol é pueril. Sua motivação é ingenuamente sem graça e comum. Seu comportamento é imaturo e contrabalanceado pelo realismo de Shayera.

Eles chegam à Terra e são recebidos com celebração televisiva. A idéia é vendê-los como heróis de Thanagar. No entanto, Shayera não passa de uma policial. Katar se apresenta ao evento social, enquanto Byth prepara seu plano de ação utilizando humanos como capangas modificados.

O nível permanece ainda muito baixo, apesar da ambientação na Terra melhorar a empatia em relação aos personagens. Não consigo realmente gostar desse conceito de herói; arte pouco trabalhada, história superficial, não sei...esse tipo de trama era típica da DC e de muitos personagens de 2º escalão da Marvel (algumas tie-ins).

Gavião Negro: "Fúria alada"
Argumento: John Ostrander
Arte: Graham Nolan
Arte-Final: Sam Parsons

Gavião-Negro reagiu aos ataques dos comparsas de Byth, mas está em desvantagem. Mulher-Gavião vem em seu auxílio, sem, contudo, se deixar envolver pelos problemas de um mundo que não é seu. Isto não é problema para que os heróis alados resolvam seus anseios de justiça, aprendendo a primeira lição deste mundo: o conjunto de leis que garantem a cidadania. Thanagar não possui tais instrumentos acessíveis ao seu povo, o que leva Katar ao exercício da reflexão.



O final beira a pieguice. Ostrander não consegue tornar Katar interessante porque não tem nada de interessante a explorar neste personagem. Torço para queimar a língua, mas considero que Gavião Negro carece de subjetividade que justifique um título solo.

13 maio 2011

SUPERAVENTURAS MARVEL #79

Editora Abril

Marvel Comics

Formatinho (68 páginas)

Janeiro/1989

Originalmente publicado em:
Daredevil v1 #250 (1988);
Marvel Team-Up v1 #130 (1983);
Punisher v2 #1 (1987).




Demolidor: "Buum!"
Argumento: Ann Nocenti
Arte: John Romita Jr
Arte-Final: All Williamson

Início de um bom run com Nocenti, Romita e o lendário Williamson. Este útlimo ganhou o Prêmio Eisner Hall da Fama, em 2000. Excelente artigo, quando de sua morte, publicado no Universo HQ.

Salvem o Planeta, uma entidade ecológica, procura os serviços de Matt Murdock, que presta assistência jurídica gratuita, na Cozinha do Inferno, para enfrentar a indústria de adesivos Kelco. Entretanto, interesses econômicos prevalecem e o misterioso Bullet, um brutamontes mercenário, é contratado para "viabilizar" os negócios.

Bullet possui um filho traumatizado pela imperiosa ideia de uma guerra atômica. Elemento recorrente em histórias dos anos 80, em plena Guerra Fria, o medo de Lance é o contraponto à dureza do pai, que se rende à necessidade afetiva do filho.

É inusitado o fato de Foggy defender a Kelco. Já se antevê o inevitável confronto entre os dois amigos, nas edições futuras.

O que falar da arte? Romita Jr marcou com seu estilo único e acertado. Williamson realçou a qualidade final, respeitando o traço e reforçando o conceito. O primeiro contato que tive me deixou impressionado. Sempre considerei Romita Jr um artista criativo e econômico nas firulas.

Marvel Team-Up: "Até que a morte nos separe!"
Argumento: J.M. DeMatteis
Arte: Sal Buscema
Arte-Final: Mike Esposito

Em primeiro lugar, é necessário dizer que a Abril cortou aproximadamente 8 páginas! Aí, você se pergunta: "Isso não afetou a história?" Vejamos: o tratamento gráfico das revistas, por si só, já não permitia a reprodução integral dos diálogos (o que nos leva a uma perda substancial). O corte de qualquer material adicional exigiria habilidade na reconstrução da edição. Quando se é moleque, isto passa despercebido. De um modo geral, estas supressões de material foram lesivas sempre, porém digeríveis.

Infelizmente, esta edição se mostrou completamente prejudicada por esse tratamento editorial. A qualidade dos diálogos no original provou que a percepção dos personagens seria outra. Lendo no gibi, considerei que Necrodamus não passava de um raso mago das profundezas. Comparando com o original, reconheci o afeto enterrado na motivação de suas ações. O vilão pareceu-me completamente legitimado. É uma pena, esta é uma daquelas coisas terríveis para quem gosta de quadrinhos.

Segunda parte da trama que se iniciou em SAM 78, o mago Necrodamus procura transferir sua alma de seu frágil corpo para o corpo do androide Visão. E para isso, atrai Wanda Maximoff, a Feiticeira Escarlate, obrigando o vingador a se sacrificar em troca da liberdade de sua amada. A participação do Homem-Aranha é restrita ao possível desmascaramento de sua verdadeira identidade.

Necrodamus é um servo da escuridão, dotado de conhecimento pleno das artes místicas, aprisionado em um corpo incapaz de suportar seus poderes. Através de um sacrifício, seus mestres lhe garantiriam um novo e magnífico corpo. Feiticeira Escarlate impede que seu plano contra Agatha Harkness siga curso, enviando-o para outra dimensão. Seu profundo ódio pela feiticeira guia o retorno do demônio a este mundo, que busca satisfação de seus desejos narcísicos na aquisição de um novo corpo.

Apenas mais uma observação: Sal Buscema sempre foi uma dos meus favoritos, entretanto aqui seu estilo ainda não estava maduro.

Justiceiro: "Conexão: Nova Iorque"
Argumento: Mike Baron
Arte: Klaus Janson
Arte-Final: Klaus Janson

A capa de SAM deste mês, estranhamente, é a capa da segunda edição americana. 

Sempre fui aficionado pela violência das histórias do anti-herói. Algo que, para mim, sempre o aproximou de Wolverine. O sentimento de justiça própria, a agressividade explosiva e a solidão são alguns outros elementos de semelhança. Quando bem explorados, tornam as histórias destes heróis muito mais verossímeis, respeitando o leitor. Quando não trabalhados, esvaziam o significado do personagem, e quando mal trabalhados, agridem quem os lê. Esta história se localiza entre o primeiro e o segundo tipo: meio sem sal...

Frank Castle tenta se infiltrar numa organização criminosa, cuja instalação justifica a bazuca da capa da edição americana. Ele busca informações com ex-colegas de Vietnã que possam ajudá-lo em sua missão. 

A história é simples e pouco inspirada assim. Não prendeu minha atenção, apesar da boa vontade... E a arte de Janson inaugura a era dos exagerados de anatomia, tão comum nos anos 90. Janson nunca foi um dos meus favoritos, mas até que funcionava bem no Justiceiro.




- Marvel Team-Up v1 #1: pgs 4, 8, 9, 10, 13, 14, 15 e 16.

08 maio 2011

HERÓIS EM AÇÃO #2

Editora Abril

DC Comics

Formatinho (84 páginas)

Agosto/1984

Originalmente publicado em: 
Atari Force v2 #1 (1984); 
Flash v1 #307 (1982); 
Swamp Thing v1 #1 (1972); 
Green Lantern v2 #77 (1970).
Esquadrão Atari: "Primórdios"
Argumento: Gerry Conway
Arte: José Luis García-López
Arte-Final: Ricardo Villagran

Neste gibi, eis uma das pérolas dos anos 80. Lançado em meados da década, como uma estratégia de marketing da Atari, Inc., nossos heróis, em sua segunda publicação, já nas mãos talentosas de Conway e García-López, cativaram toda uma geração, principalmente, aqui no Brasil.

À primeira vista, o enredo pode soar um tanto quanto ingênuo: um grupo formado por personagens heterogêneos de diversos pontos da galáxia, para combater o mal. Mas não devemos esquecer que a ficção científica dessa década sofria forte influência do conceito de guerras intergaláticas, conflitos no espaço, interações com alienígenas. Gênero que Conway apreciava, tendo escrito tiras de Star Trek, em 1983.

Blackjack, um mercenário canastrão, e Dart, sua habilidosa companheira, enfrentam os soldados do general Ki para reaverem uma dívida, e acabam em apuros. O planeta Ovóide abriga uma raça de seres que se tornam sua melhor mercadoria. Na sede da A.T.A.R.I., o jovem Tormenta, capaz de se desmaterializar, testa suas capacidades ao melhor estilo "sala de perigo", sempre observado pela professora Ventura e pela empata Doutora Morfea (Ack!). O ladrão humanóide Paco Rato tenta "adquirir" mais uma peça para sua coleção de arte, sem que isto signifique que seja uma tarefa fácil.

A arte fica a cargo do competente García-López, um dos talentos da época. No início dos anos 90, sua arte ficou meio esquecida, apesar da qualidade. Aqui, no site Pop Balões, uma matéria bem bacana sobre o artista.

Senhor Destino: "O crepúsculo do quinto sol"
Argumento: Martin Pasko
Arte: Keith Giffen
Arte-Final: Larry Mahlstedt

História curta, porém interessante. Destino é um personagem com grande potencial para explorar o lado mitológico das hqs. E é exatamente isto que capta o interesse do leitor, quando bem trabalhado, é lógico.

Kent e Inza Nelson, sua mulher, estão aprisionados por Malferraz, um dos Mestres do Caos da cultura asteca. Seu plano consiste em destruir Destino e se tornar o único deus da quinta era humana. Para isto, ele conta com a ligação sentimental do herói para salvar sua amada.

Monstro do Pântano
Argumento: Len Wein
Arte: Bernie Wrightson

Grande edição! Temos a primeira aparição de Alex Holland (muito embora, o primeiro a se transformar na criatura tenha sido Alex Olsen, em House of Secrets v1 #92), além da origem moderna do monstro.

O intuito inicial era de contextualizar o personagem no gênero horror. Entretanto, o que mais se sobressaiu, nesta primeira fase, foi o apelo ecológico. O monstro que defende a natureza, apenas posteriormente, veio a ganhar a profundidade existencial com Alan Moore.

Alex Holland é um cientista que trabalha na cobiçada fórmula de biorreconstituição, amparado pela proteção do governo. Na tentativa de isolá-lo, para sua própria segurança, o cientista e sua mulher Linda se mudam para um pântano (!?). Lá, a pesquisa é interrompida por representantes de uma organização profundamente interessada em seu trabalho. O resultado é a transformação de Holland no monstro.

Berni Wrightson é genial desenhando histórias de horror, pelo uso hábil e constante de sombras, dando um ar mais escurecido às imagens. Além do traço variado na caracterização única dos personagens, algo incomum entre os outros artistas. O tratamento gráfico dispensado pela Abril não conseguia captar toda a qualidade de Wrightson, uma pena.

Len Wein deslizou em alguns momentos, como o afeto raso de Linda ao falar do "falecido" marido e na transformação simplória de Holland (para quem estava desorientado, o monstro se mostrou bem orientado); enfim, pouca coisa.

Lanterna Verde & Arqueiro Verde: "Uma jornada a Desolação"
Argumento: Denny O'Neil
Arte: Neal Adams
Arte-Final: Frank Giacoia

Segunda edição na nova denominação (Green Lantern & Green Arrow, ou, simplesmente, vol.2 do Lanterna). Também a segunda do run de 12 com Neal Adams no lápis.

Nossos heróis se deparam com mineiros prestes a enfrentar Soames Slapper, o sujo "dono" de Desolação. Em função do registro de todas as terras, ele trata o povoado como escravos e não mede esforços para eliminar quem atravessa seu caminho, como é o caso do jovem Johny Walden. Suas músicas inspiraram a revolta nos trabalhadores.

Três pontos de vistas dirigem a narrativa: o Guardião, ente superior dos Lanternas, procura entender a natureza humana, tentando se manter alheio aos eventos que o cercam. Lembra muito um burocrata; Arqueiro Verde, trabalhado como um moderno Robin Wood, estranhamente cauteloso; e o Lanterna, enfraquecido por suas dúvidas, lidando com a mortalidade nua e crua.

Denny O'Neil, ao final, deixa uma mensagem de proximidade entre as possibilidades humanas e super-humanas, apontando residir a solução, ironicamente, nas mãos mortais dos não-heróis.

- Swamp Thing v1 #1: pg 1, pg 16, pg 24.

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