17 setembro 2025

OD&D - Men & Magic (1974)

Apesar de ter jogado versões básicas e avançadas do maior jogo de RPG de todos os tempos, Dungeons & Dragons, confesso que ainda não conhecia seus primórdios, a saber, a primeira versão editada em 1974. Neste post, abordarei minhas impressões sobre o livreto I, Men & Magic. 


A obra de Gary Gygax e Dave Arneson é muito referenciada no suplemento de CHAINMAIL, que abordava fantasia medieval. Os autores partem do pressuposto de que o leitor estaria já familiarizado com as regras básicas do jogo, ao ponto de o indicarem explicitamente como suporte ao que estavam a apresentar.

Interessa como Gygax, no prefácio, alerta para que "aqueles wargamers que careçam de imaginação, aqueles que não se importam com as aventuras marcianas de Burroughs onde John Carter tateia através dos poços negros, que não sentem nenhum arrepio ao ler a saga de Conan, de Howard, que não apreciam as fantasias de de Camp & Pratt ou Fafhrd and the Gray Mouser de Fritz Leiber" provavelmente não saborearão o que realizavam. 

A imaginação é pré-condição para esta jornada, que neste início recai como incumbência suprema ao árbitro (do termo referee), pois deve elaborar meia-dúzia de mapas do "submundo" (dungeon), populá-lo com criaturas, distribuir tesouros, de acordo com níveis. E vem uma evocativa sentença que pode ser traduzida como: "quando esta tarefa estiver concluída, os participantes poderão então fazer sua primeira descida às masmorras sob a enorme pilha de ruínas, um vasto castelo construído por gerações de bruxos loucos e gênios insanos". 

As classes apresentadas são: Fighting-Men, Magic-User e Cleric. Esta ordem de apresentação configurará a ordem em que os atributos são dispensados na ficha do personagem, a saber, Força, Inteligência e Sabedoria, como os pré-requisitos de cada classe, respectivamente.

Guerreiros podem usar sem restrições todas as armas mágicas, possuem mais hit dice e não podem lançar magias. Progridem do posto de veterano (0 xp) ao de lorde (240.000 xp), em que podem alcançar o baronato (mediante um investimento, podem receber 10 gp/habitante/ano). 

Utilizadores de magia não possuem restrições no uso de itens mágicos, salvo armas e e armaduras. Entretanto, utilizam apenas adagas. Variam nos postos de médium (0 xp) a magos (300.000 xp). Neste último, podem manufaturar itens ou feitiços a um custo e tempo próprios de fabricação.

Clérigos podem utilizar armaduras mágicas e todas as armas não pontiagudas, além de possuírem a possibilidade de utilizar magias. Seus postos variam de acólito (0 xp) a patriarca (100.000 xp), quando podem construir uma fortaleza e atrair fiéis. Neste nível, podem angariar por "dízimo" 20 gp/habitante/ano.

Anões só podem ser guerreiros e estão limitados na progressão até o 6º nível (Mirmidão). Em compensação, são resistentes a magia, podem empunhar um martelo mágico +3, possuem ótima percepção para construções subterrâneas e falam outras línguas.

Elfos chegam apenas ao 4º nível de guerreiro (Herói) e ao 8º nível de utilizador de de magia. Podem usar armadura mágica mesmo sendo utilizadores de magia. Percebem portas secretas ou escondidas. Ainda contam com as vantagens elencadas (contra criaturas fantásticas) no Chainmail.

Halflings só podem alcançar o 4º nível de guerreiro (Herói), mas, em compensação, possuem as mesmas resistências mágicas que anões e pontaria como no Chainmail.

Os jogadores podem, se preferirem, utilizar outras raças, desde que haja limitações e progressão proporcional como proposta para as apresentadas de opções iniciais.

O sistema de alinhamento do personagem (agora, com o nome tradicionalmente adotado) traz como novidade a possibilidade do personagem adotar qualquer espectro, bem como aos licantropos e armas mágicas. Além disso, dragões, orcs e ogres não pertencem exclusivamente ao espectro caótico.

Uma das grandes novidades foi o sistema de habilidades: Força, Inteligência, Sabedoria, Constituição, Destreza e Carisma, com rolagem, em ordem, de 3d6, cujo valor poderia trazer bônus ou penalizações.



Quanto a NPCs, há uma ênfase para a relação de contrato, de auxílio ao personagem. Até criaturas podem ser incluídas neste espírito. É como se o próprio sistema requisitasse do jogador este tipo de ação, tratando de assuntos relacionados como capturas, lealdade e relacionamentos.

Os autores propõem também um aspecto econômico ao trazer a tabela de equipamentos e sobrecarga de peso, que será importante com relação ao peso dos tesouros.

Os tesouros compõem um aspecto importantíssimo do jogo por fazerem parte do sistema de progressão do personagem. A cada inimigo vencido, a depender do nível da dungeon, em função da quantidade unitária de tesouro obtido, o personagem adquire um valor de experiência. Então, se um usuário de magia de 8º nivel está numa dungeon de 5º nível, obterá 5/8 pontos de experiência. Porém, ao enfrentar um inimigo de nível maior, essa proporção é alterada para o nível da ameaça, não ultrapassando 1:1, e, muito menos, fazendo com que o personagem pule níveis em sua progressão.

Não há limites de níveis de progressão; os personagens ganham uma estatística extra que mede o tamanho de sua vida (hit dice); o combate segue as regras do Chainmail; as magias seguem um sistema de níveis e só podem ser lançadas um vez ao dia.

Há uma proposta de matriz de ataque, precursora do THAC0; bem como uma matriz para as jogadas de salvamento nos moldes tradicionais.

Quanto às magias, há um considerável acréscimo em seu número até o 6º nível arcano e 5º nível divino. Inclusive, existe, agora, a possibilidade de contatar outros plano de existência.

O clérigo possui uma tabela de turn undead. 

Enfim, mais cara de D&D como conhecemos.

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