11 setembro 2026

Reminiscências II

Quando resolvi me reconectar com o hobby, devo confessar que as pressões da vida, que acabam por soterrar muitas vezes nossas pretensões, lançavam uma sombra sobre meu esforço.  A incerteza da possibilidade de constância nas jogatinas fez com que eu concentrasse o movimento na apreciação de material teórico ou livros e publicações apenas. 

capa-jogo-Baldur's Gate-BioWare-1998

Na tentativa de localizar pessoas que falassem sobre o hobby, acabei por descobrir que a mídia usual havia transicionado da estática (blogs e afins) para o áudio visual (majoritariamente, YouTube). Também fui um dos que acabou por criar um canal, mas a vontade recaída em produzir me conduziu para uma forma que considero (hoje) mais adequada ao que eu intentava: postagens escritas.

Baldur’s Gate era uma opção imediata, lá nos anos 90, para quem gostava de D&D (cheguei a ter acesso ao Dark Sun: Shattered Lands, mas não me fisgava) e continuou a prender meu interesse, mesmo que de forma saudosa. Na verdade, o título que mais atraía o meu imaginário era The Temple of Elemental Evil, pelo sistema em turnos pausados e pela introdução das regras “novas” (3.5e).

Como eu vinha me aventurando pelo mundo do wargaming eletrônico (outro hobby), foi natural que o desejo de retorno ao RPG retomasse igualmente as pontas em aberto, e, portanto, o jogo da BioWare de 1998 parecia ser a reposta ao meu anseio, mesmo 20 anos após seu lançamento. E não me decepcionou.

Admito que as lembranças da jogatina à época não fazem jus à qualidade da história e construção de personagens, tendo em vista o domínio precário da língua inglesa que eu possuía. Hoje, no entanto, podemos contar com as traduções para auxiliar não apenas a compreensão, como também o sabor da trama e seu desenvolvimento. E por vezes podemos acabar nos distanciando de algo em função deste fato.

Mas em 2017, experimentei, acredito, de forma mais plena o valor de Baldur’s Gate, não apenas como aventura, como também produto de RPG, me aproximando do que era minha intenção inicial: reconexão ao hobby. A empolgação bateu tão forte que resolvi até registrar em vídeo, no canal. Não ficou muito bom.

Mas era um reinício e isso era o que importava. Na verdade, parece que se trata de um princípio mais geral ao hobby: fazer; vejo muitos que indagam como iniciar uma partida, aventura ou criação de mundo. A resposta mais aparentemente óbvia é fazer, iniciar, experimentar, tentar, pois a imaginação só ganha materialidade na ação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails