Quando resolvi me reconectar com o hobby, devo confessar que as pressões da vida, que acabam por soterrar muitas vezes nossas pretensões, lançavam uma sombra sobre meu esforço. A incerteza da possibilidade de constância nas jogatinas fez com que eu concentrasse o movimento na apreciação de material teórico ou livros e publicações apenas.
Na tentativa de localizar pessoas que falassem sobre o
hobby, acabei por descobrir que a mídia usual havia transicionado da estática
(blogs e afins) para o áudio visual (majoritariamente, YouTube). Também fui um
dos que acabou por criar um canal, mas a vontade recaída em produzir me
conduziu para uma forma que considero (hoje) mais adequada ao que eu intentava:
postagens escritas.
Baldur’s Gate era uma opção imediata, lá nos anos 90, para
quem gostava de D&D (cheguei a ter acesso ao Dark Sun: Shattered Lands, mas
não me fisgava) e continuou a prender meu interesse, mesmo que de forma saudosa.
Na verdade, o título que mais atraía o meu imaginário era The Temple of
Elemental Evil, pelo sistema em turnos pausados e pela introdução das regras
“novas” (3.5e).
Como eu vinha me aventurando pelo mundo do wargaming eletrônico
(outro hobby), foi natural que o desejo de retorno ao RPG retomasse igualmente
as pontas em aberto, e, portanto, o jogo da BioWare de 1998 parecia ser a reposta
ao meu anseio, mesmo 20 anos após seu lançamento. E não me decepcionou.
Admito que as lembranças da jogatina à época não fazem jus à
qualidade da história e construção de personagens, tendo em vista o domínio
precário da língua inglesa que eu possuía. Hoje, no entanto, podemos contar com
as traduções para auxiliar não apenas a compreensão, como também o sabor da
trama e seu desenvolvimento. E por vezes podemos acabar nos distanciando de
algo em função deste fato.
Mas em 2017, experimentei, acredito, de forma mais plena o
valor de Baldur’s Gate, não apenas como aventura, como também produto de RPG, me
aproximando do que era minha intenção inicial: reconexão ao hobby. A empolgação
bateu tão forte que resolvi até registrar em vídeo, no canal. Não ficou muito
bom.
Mas era um reinício e isso era o que importava. Na verdade,
parece que se trata de um princípio mais geral ao hobby: fazer; vejo muitos que
indagam como iniciar uma partida, aventura ou criação de mundo. A resposta mais
aparentemente óbvia é fazer, iniciar, experimentar, tentar, pois a imaginação
só ganha materialidade na ação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário